domingo, 8 de junho de 2014

A ciranda do amor desencontrada

Estávamos lá sentadas observando. Estava lá sentada observando.Não era muito a minha praia,não era muito o meu lugar, tudo muito arrumadinho, homens e mulheres. Tudo muito arrumadinho com suas roupas de marca e suas propagandas de si. 

Era tudo tão "arrumadinho" que havia um lugar pra dança e poucos dançavam perto de suas próprias cadeiras. Mas, o que mais me chamava a atenção nem era isso. No fundo, a maioria, homens e mulheres, estava ali tentado se encontrar por meio de algum encontro.

Eles com suas táticas: olhares, peito estufado, ora cara de que tô muito aí,ora um certo desprezo pra deixar a sedução mais emocionante. O copo na mão, a etiqueta na camisa, a chave do carro,o ar de "tenho dinheiro, carro, poder e posso te ter", porque um dia ensinaram a eles que devia ser assim, que seus corações deviam estar em outro órgão, e sua sedução no bolso. 

Elas com seus cabelos e unhas como devem ser, com suas coxas de fora, assim como parte dos seus seios, das suas barrigas, enfim, do seu corpo. Iam ao banheiro e voltavam; pegavam uma bebida e voltavam; tudo pelo caminho mais longo, para deixarem suas marcas, para se colocaram na vitrine a fim de serem escolhidas pelos seus atributos. Tudo porque foi assim que lhes ensinaram. Apresentem seus dotes, deem uma rebolada sensual, mostrem o corpo e assim chegarão aos seus objetivos. Nada de tão diferente como antigamente. Temos de apresentar uma função ao homem, assim seremos amadas. Nada de muito diferente, quase sempre, como sempre, continuamos enfeites.

O triste é que, nessa ciranda da sedução, mesmo que de forma acrítica sigamos os paradigmas, todos ali só querem uma coisa: o encontro de verdade. O problema é que a música do amor tá tocando num ritmo e a maioria dança em outro compasso. E até hoje conheci ninguém que não queira entrar na dança certa, que não queira encontrar seu tom no tom de outro, porque, ainda que alguns digam o contrário, partilhar o que tem em nós ainda é a melhor coisa da vida.

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