quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Pierrot que se faz de Arlequim

Em meio aos trabalhos, estou aqui esperando para ir passar o Carnaval, como de costume, na Região dos Lagos. Sendo eu carona, aprendi direitinho as regras para tal e restou-me a espera, mesmo com malas já prontas, tudo na casa ajeitado e a animação total de passar o feriado descansando.

Desde que comecei a trabalhar, a festa da carne se tornou o meu momento de descanso. Não corro atrás de trio ou bloco, amor ou pegação (ou seria "um lance é um lance"?).Daí, estava aqui pensando neste sentimento todo que invade o Rio e que eu acho até bacana. É um momento de catarse geral, em que abrem-se as alas para o que seria surreal fora dessa época, mas com um quê de mimese da alegria ideal, uma vez que antes via-se somente sombras.

Tentando mostrar qualquer intelectualidade, porque, em tempos do Grande Irmão, tudo o que é bonito - e feio - é pra se mostrar, o que acabamos mostrando mesmo é a nossa fantasia de Arlequim, ainda quando, na verdade, somos plenos Pierrot. Aí, você pode dizer que brasileiro é assim mesmo, vive intensamente as alegrias de ser de uma nação tão colorida, miscigenada, sensorial, onde abaixo da linha do Equador, tudo é permitido e legal.

O problema é que "todo carnaval tem seu fim"; e pula-se feito Arlequim, fanfarrão e esperto, encontra-se um aqui, beija um outro ali, vai com um terceiro acolá...Ninguém se encontra e é uma pena, porque imagino quanta gente bacana e divertida poderia encontrar outra gente bacana e divertida, e daria um caldo.

Acontece que o que acontece, na verdade, é que, como somos aquele Pierrot, a nossa Colombina quase nunca está na mesma cena em que estamos, e se fazer de Arlequim é tão mais fácil, já que, no resto do ano, é a foto daquela Colombina que iremos olhar e desejar que, no próximo Carnaval, a sorte da música do Cazuza venha também até nós, com sabor de fruta mordida, na rede, matando a sede na saliva.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

De repente chegando aos 30!

Falar quanto tempo eu malho é tarefa mais difícil que falar a minha idade. Quando me perguntam, sai uma frase meio "#@%! briu a academia", mas, tudo bem, as coisas se dão dentro de suas prioridade, né verdade? Nunca ouvi meu pais falarem: "malhe,milha filha, porque glúteos sarados te levam longe", com isso, as paradinhas nos momentos mais críticos de puro trabalho mental e esforço acadêmico me custam bastante   fisicamente.

Sem a minha vocação para mulata de carnaval que malha por trabalho, estou tentando aproveitar as "férias" para ir, ao menos, 4x por semana à academia. E,às vezes, me questiono até que ponto isso tem sido bom, porque, dependendo das pessoas que estejam malhando no salão, sua autoestima pode ficar abalada. Outro dia, me chega à academia uma menina, corpo bonito, direitinho, todo no lugar, a musculatura definidinha etc. Estou eu no leg puxando 110kg, 120kg,130 kg (aquelas séries que você levanta toda hora pra aumentar o peso), olho pra dita cuja e ela está levantando 3 plaquinhas na extensora, QUINZE KG na bagaça de um aparelho que eu faço 45kg,50kg,55kg. O que é isso? Injustiça da natureza? Queria saber como se dá a escolha lá em cima. Deus fala: "esta aqui vai com a genética boa, três plaquinhas resolverão seus problemas de flacidez; já esta...esta vamos dar caráter a ela e mostrar as dificuldades da vida."?

Só que além disso, tenho me deparado com outras dificuldades. É impressionante como a vida  muda depois dos 25 (" vida" leia-se: pele e musculatura). É como um "nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia...". Ontem, a minha preocupação era  "pegar pouco peso pra conseguir sambar à noite", porque as juntas já não são mais minhas amigas, e a lombar mostra a todo custo que ela existe.Ah, outra coisa,nem adianta, querer recuperar a musculatura perdida, depois de um mês parada, tem sido quase missão impossível. E não para por aí; dei para me maquiar com mais frequência (descobri as sombras hipoalergênicas) e dia desses percebi a dificuldade que foi passar a sombra. As pálpebras parecem que tomaram banho de piscina o dia todo e ficaram enrugadas . Sem brincadeira, tem mais pele do que olho.

É...a idade chega para todos, só que para alguns com mais crueldade, para outros levemente como as plaquinhas de 5kg cada levantadas pela moça da genética abençoada. O fato é que tudo isso me preocupada até eu lembrar que preciso ler um livro, estudar um outro, montar planejamentos de aula, estudar para aulas, e colocar em dia as lições de alemão. Ah, gente, diante de tudo isso, quem pensa em beleza. O lance é relaxar e "uh, aceita"; vamo que vamo, rumo aos 30!