Em meio aos trabalhos, estou aqui esperando para ir passar o Carnaval, como de costume, na Região dos Lagos. Sendo eu carona, aprendi direitinho as regras para tal e restou-me a espera, mesmo com malas já prontas, tudo na casa ajeitado e a animação total de passar o feriado descansando.Desde que comecei a trabalhar, a festa da carne se tornou o meu momento de descanso. Não corro atrás de trio ou bloco, amor ou pegação (ou seria "um lance é um lance"?).Daí, estava aqui pensando neste sentimento todo que invade o Rio e que eu acho até bacana. É um momento de catarse geral, em que abrem-se as alas para o que seria surreal fora dessa época, mas com um quê de mimese da alegria ideal, uma vez que antes via-se somente sombras.
Tentando mostrar qualquer intelectualidade, porque, em tempos do Grande Irmão, tudo o que é bonito - e feio - é pra se mostrar, o que acabamos mostrando mesmo é a nossa fantasia de Arlequim, ainda quando, na verdade, somos plenos Pierrot. Aí, você pode dizer que brasileiro é assim mesmo, vive intensamente as alegrias de ser de uma nação tão colorida, miscigenada, sensorial, onde abaixo da linha do Equador, tudo é permitido e legal.
O problema é que "todo carnaval tem seu fim"; e pula-se feito Arlequim, fanfarrão e esperto, encontra-se um aqui, beija um outro ali, vai com um terceiro acolá...Ninguém se encontra e é uma pena, porque imagino quanta gente bacana e divertida poderia encontrar outra gente bacana e divertida, e daria um caldo.
Acontece que o que acontece, na verdade, é que, como somos aquele Pierrot, a nossa Colombina quase nunca está na mesma cena em que estamos, e se fazer de Arlequim é tão mais fácil, já que, no resto do ano, é a foto daquela Colombina que iremos olhar e desejar que, no próximo Carnaval, a sorte da música do Cazuza venha também até nós, com sabor de fruta mordida, na rede, matando a sede na saliva.
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