Tem tempo que não venho por aqui. Tem tempo que não tenho tempo pra fazer algo de que realmente gosto sem estar atrelado às obrigações. Quero deixar bem claro que gosto das minhas obrigações. Quero deixar bem claro até que sou uma pessoa que gosta de obrigações, rotinas, sistematizações da rotina, planejamento do dia etc. Sempre gostei, me julgue.
Mas há um tempo que não termino um livro que comecei porque quis, não porque alguma coisa externa a mim me exigiu. Há um tempo que não escrevo coisas como estas aqui.Esta semana me levou a algumas reflexões. Às vezes são necessários alguns acontecimentos para nos questionarmos sobre o rumo que damos às nossas vidas. E eu, chegando a uma nova fase, tenho pensado na vida, na minha vida. E nos rumos que não tomo, que deixei outros ou outras coisas tomarem por mim.
Primeira reflexão: há uma idade da nossa vida que simplesmente não cabem mais determinadas atitudes nossas e de outras pessoas. Joguinhos amorosos, alguém te cozinhando, alguém que te enrola com desculpas pra não ficar com você quando a única justificativa é que a pessoa não quer ficar com você, mas não cresceu o suficiente pra conseguir falar isso, por exemplo. (Transporte isso pra empregos e amigos, por exemplo)
Segunda reflexão: há limites. Dependendo da nossa personalidade, colocar limites é muito difícil. Eu sempre tento entender o lado do outro: ah estava cansado; ah estava confuso; ah estava estressado; ah, ah, ah. E assim as pessoas vão falando e fazendo o que querem, porque tá ali a pessoa super legal e amiga. É bom começar a falar: não, não aceito que fale assim comigo; agora quem precisa de um tempo de você sou eu; eu estou insatisfeita com isso; tal atitude foi uma injustiça diante do que faço ou sou e por aí vai. (Pra isso, você tem que saber quem você é, o que tem de bom, o que oferece de bom)
Terceira reflexão: atenção ao que estou me doando. Este ponto foi basal e crítico. É muito ruim se dar conta de que, de repente, você doou parte significativa da sua vida a algo ou a alguém que simplesmente não consegue dar valor a isso, que simplesmente age com indiferença diante do que você fez. Aí é hora talvez de respirar e pensar: fiz a minha parte, parto pra outra. Muitos nos doamos ao que não devemos e deixamos de lado aquilo que, de fato, nos traria plenitude se deixássemos a nossa alma (ânima) ali.
O pior é que é tudo tão clichê que chega a ser constrangedor. É tudo tão clichê que, achando clichê, não refletimos. Chegando aos 30, acho que é momento de começar a viver mesmo, com as suas próprias decisões, pensando nos outros, mas pensando também em você. Chegando aos 30, a vida chama pra você ser dona dela e não cabe mais a desculpa da inexperiência. Você pode até não ser a figura da sabedoria, mas, aos 30, já viveu alguma coisa suficiente pra te dar noção de quem você é e o que quer daqui pra frente.